
Ho(menage)m
É muito triste o que sentira naquela tarde. Não conseguira entender todas as sensações turbulentas que invadiram os seus sonhos.
O olhar eterno de uma mulher a deixara perturbada e a angústia do não sobrevoara sua mente, tal qual a imagem freqüente dos corpos bêbados e famintos ao amanhecer.
Tudo era turvo.
Naquela noite, devorava os seios rígidos em sua boca sedenta e os frequentes sussurros tornavam parte de sua sina, cujo único destino era um só : a plenitude, a carne em êxtase.
Nas noites seguintes, a mulher dos olhos de eternidade não a quis, deliciava-se apenas com o cheiro do homem que ama.
O homem dos olhos da atriz também se tornara o homem dos olhos de eternidade.
.
Não sabia o que dizer.
Não sabia o que sentir.
Uma perda profunda acontecera. Não física, mas a perda que vem do não.
A tristeza a tragara e ela que sempre pensara ser uma fortaleza de aço,
Era vidro e se quebrou.
.
Permitiu a delícia de ser plena em seus desejos, mas a conheceu a dor.
Um golpe.
Uma lágrima emergia à medida que as respostas deixaram de ser imaginárias e passaram a ser reais.
Tentava não lembrar dos beijos, nem das mãos, bucetas, suor, línguas, pau, ou seios dos três corpos que se devoravam em um instintivo, constante e impulsivo prazer.
E em sua nebulosidade se perguntou:
Diante do lugar onde o Id, o ego e o alter-ego nascem, qual a escolha?
Trepou.
Experimentou-se.
Bulinou-se.
Fodeu três, quatro, cinco corpos e percebeu que o sexo é poético, mas não é amor.
É sexo e se basta.
E cantava com seu sorriso Mona Lisa de canto de boca:
Louvores ao alter-ego!